domingo, 28 de junho de 2009

Corpo de(s)graça


É inquestionável o quanto somos influênciados pelos modelos que nos assediam a cada instante. Sendo corpo e mente uma instância una, o corpo é o espelho da nossa mente... do quão sã ou em sofrimento se encontra. E como dizia esse sr. (que parece ter precedido o seu tempo), o corpo é que paga. (Bem estar é ir para a praia pelo mergulho e não pelo bikini)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

corpo de sentido


templos feitos com dentro de tempo.
tempo de relação, tempo de estar dentro e nos tempos de outro.
ser corpo com graça com dentro de tempo que faz nós.
nós que não se desatam, que existem num templo que é dentro
e tudo faz sentido.
ser corpo, ter corpo, e dentro e tempo,
e tempo e dentro, ter corpo, ser corpo.
desejo, sonho, graça.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O(s) Tempo(s) e o dentro



Como todos bem sabemos e sentimos o tempo de fora não é igual ao tempo que existe dentro de nós. Mas mais do que não ser igual obedece a lógicas radicalmente diferentes.

O tempo de fora é o tempo cronológico, racional, organizador da nossa consciência e da vida em sociedade, onde passado, presente e futuro formam uma sequência unidireccional e unívoca.

Em contrapartida o tempo de dentro é o tempo do inconsciente, onde não há sequência alguma, obedecendo a uma lógica a que Matte Blanco chamou de simétrica, pois nela o passado é igual ao futuro, o grande é igual ao pequeno, o cheio igual ao vazio.

Não deixa de ser curioso observar que quanto maior for o distúrbio psicológico apresentado mais este tempo de dentro se vai sobrepor ao tempo de fora, com prejuízo da adaptação ao mundo exterior. É frequente por exemplo um esquizofrénico não saber em que ano está, pois vive mais virado para as sensações oriundas do seu mundo interno do que para o mundo externo. Ou ver um melancólico desesperadamente agarrado ao passado, ou um hipomaniaco em continua fuga para a frente, sem conseguir sequer viver o presente.

É também a evocação do tempo de dentro que faz a histérica confundir afectivamente o pai com o marido e/ou com o filho. E o obsessivo tentar isolar e/ou anular magicamente actos e pensamentos.

Mas se o tempo de dentro nos convoca continuamente a nossa capacidade de pensar, no sentido de reconhecer, nomear, descodificar e entender a amálgama de sensações e afectos que emergem dentro de nós, é o tempo de fora presente no olhar do(s) outro(s) que nos mostra o que fomos, o que somos e o que poderemos ser, no fundo, que é a passagem do tempo que, ao testemunhar a continuidade da nossa existência e do essencial dos nossos afectos e pensamentos, nos permite afirmar a nossa identidade no mundo.


terça-feira, 23 de junho de 2009

O corpo de(s)graça


O eu é primeira e acima de tudo um eu corporal, disse sabiamente Freud, querendo afirmar que é do corpo e das suas percepções e sensações que emerge o eu do indivíduo, o qual se vai tornando, ao longo do desenvolvimento, progressivamente mais simbólico.
Quando existem falhas neste processo o eu em vez de consistente e coeso revela-se poroso, como se a pele psíquica se apresentasse com buracos que deixam passar partes do sujeito que se vão depois misturar com partes do objecto gerando movimentos de projeccção e de identificação projectiva patológica onde o individuo se perde e se confunde pois não pode vivenciar-se como separado do outro.
Nestes movimentos caracterizados pelas dificuldades ao nível do simbólico o corpo é vivido na sua concretude, quase sem metáfora, sendo neste registo que enquadramos várias patologias onde o corpo surge agredido, maltratado, como sejam as auto-mutilações, as anorexias/bulimias, algumas doenças psicossomáticas, as toxicodependências, a prostituição, tantas são as formas de vivenciar no corpo as dores da alma.
O corpo é então um continente da raiva e ódio experimentados contra si pela impossibilidade/insuportabilidade de os voltar para fora, para o exterior, eventualmente para o agente agressor, tantas vezes pai ou mãe.
(…) Lembro-me de a ver entrar, meias pretas de rede rotas deixando ver as marcas de agulha das seringas que espetava e a boca suja de chocolate do bolo que tinha entre os dedos. Abusada antes pelo pai dava-se agora ao abuso dos outros, viciadamente, estes podia ela controlar (…)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O corpo e a alma


"A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma reflecte-se no corpo."

Séneca, filósofo (4 a.C - 65 d.C)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os Tempos e o Dentro...



Sou uma memória?

Um tempo de espera?

Uma espera no tempo?

Vários tempos... e o meu dentro, que tempo tem para mim?

Tempo e eu unos? Eu é tempo... feito de antes, de agoras de depois...

Amanhã continuarei a ser o que fui... o que sou?

Dentro de mim há um tempo... tempos... de antes, de agora de depois...

domingo, 14 de junho de 2009

Quando a cabeça não tem juízo o corpo fica uma desgraça!



Quando a cabeça não tem juízo o corpo fica uma desgraça!

Este podia ser o título do clip abaixo exibido!
Podia deambular acerca dos vários significados que determinados desportos radicais tem nas vidas de quem os pratica… mas se ouvirem a letra e pensarem sobre ela terão melhores resultados que lendo as minhas palavras…


Quando a cabeçaÂ….
Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deixa´ó pagar deixa´ó pagar
Se tu estás a gostar
Quando a cabeça não se liberta
Das frustaçoes inibiçoes toda essa força
Que te aperta o corpo é que sofreAs privaçoes mutilaçoes
Quando a cabeça está convencida
De que ela é a oitava maravilha
O corpo é que sofre
O corpo é que sofre
Deixa´ó sofrer deixa´ó sofre
Se isso te dá prazer

Quando a cabeça está nessa confusão
Já sem saber que hás-de fazer, e já és tudo o que te vem à mão
O corpo é que fica
Fica a cair sem resistir


Quando a cabeça rola pro abismo
Tu não controlas esse nervosismo
A unha é que paga
A unha é que paga
Não paras de roer
Nem que esteja a doer

Quando a cabeça não tem juízo
E tu não sabes mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deixa´ó pagar deixa´ó pagar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó sofrer deixa´ó sofrer
Se isso te dá prazer
Deixa´ó cantar deixa´ó cantar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó beijar deixa´ó beijar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó gritar deixa´ó gritar
Se tu estás a libertar

Muito á frente não?