Proponho que matutemos sobre a seguinte citação de Carlos Amaral Dias e a conjuguemos com a propsta que fiz anteriormente (no blog interno) de pensarmos a questão da neutralidade na actualidade:
"...Trata-se de uma forma de Psicanálise aplicada, mas que sustenta o acto analítico para além do trabalho individual. Aí, o analista é responsável pela presença do discurso analítico no laço social.
Proponho, aliás, o termo analista-cidadão para designar o psicanalista que responde à chamada que lhe é feita, pronunciando-se activamente sobre os acontecimentos do seu tempo ou nas instituições onde trabalha. O analista-cidadão terá de ser, sem dúvida, um analista sensível às formas de segregação contemporâneas e entender qual a função que agora lhe corresponde."
Para ler na íntegra, ir a :
http://www.pnethomem.pt/cronica.asp?id=1038
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ainda sobre o Trauma…
Na minha opinião, a noção de Trauma psíquico está intimamente ligada à própria génese da ciência psicanalítica pois, como sabemos, uma das primeiras conclusões de Freud no seu estudo das conversões histéricas foi que a causa dos sintomas seria o Trauma infantil.
Em terapia podemos observar/inferir que nas bases etiológicas das neuroses e psicoses estão sinais de experiências traumáticas infantis vividas num momento em que é impossível para a mente da criança integrar as emoções e significações dessas mesmas experiências. Serão estas experiências, que deixam uma ferida (psíquica) mal cicatrizada (o termo trauma de origem grega significa ferida), a “fonte” de angústias, ansiedades, sintomas, etc.
O trabalho psicanalítico, através da interpretação servirá, então, para abrir um caminho para que a experiência traumática infantil seja abordada de uma forma reintegrativa, elaborada e controlada através da linguagem. Deste modo o Trauma pode deixar de ser uma fonte de sintomas e as angústias e ansiedades inexplicáveis podem tornar-se um registo simbólico do passado.
PS: Uma empresa farmacêutica multinacional que está a tentar encontrar uma terapêutica para o stress pós traumático de guerra anunciou que está prestes a terminar o desenvolvimento de um medicamento que apaga a memória de acontecimentos traumáticos.
Será este o caminho certo? Eu, num registo um pouco pessimista e paranóico, não consigo deixar de me assustar com o rumo que estas coisas podem tomar…
Na minha opinião, a noção de Trauma psíquico está intimamente ligada à própria génese da ciência psicanalítica pois, como sabemos, uma das primeiras conclusões de Freud no seu estudo das conversões histéricas foi que a causa dos sintomas seria o Trauma infantil.
Em terapia podemos observar/inferir que nas bases etiológicas das neuroses e psicoses estão sinais de experiências traumáticas infantis vividas num momento em que é impossível para a mente da criança integrar as emoções e significações dessas mesmas experiências. Serão estas experiências, que deixam uma ferida (psíquica) mal cicatrizada (o termo trauma de origem grega significa ferida), a “fonte” de angústias, ansiedades, sintomas, etc.
O trabalho psicanalítico, através da interpretação servirá, então, para abrir um caminho para que a experiência traumática infantil seja abordada de uma forma reintegrativa, elaborada e controlada através da linguagem. Deste modo o Trauma pode deixar de ser uma fonte de sintomas e as angústias e ansiedades inexplicáveis podem tornar-se um registo simbólico do passado.
PS: Uma empresa farmacêutica multinacional que está a tentar encontrar uma terapêutica para o stress pós traumático de guerra anunciou que está prestes a terminar o desenvolvimento de um medicamento que apaga a memória de acontecimentos traumáticos.
Será este o caminho certo? Eu, num registo um pouco pessimista e paranóico, não consigo deixar de me assustar com o rumo que estas coisas podem tomar…
domingo, 7 de junho de 2009
A ABORDAGEM ANALÍTICA DA OBESIDADE
O inconsciente tem implicações no corpo e na formação do discurso deste. O tipo de vinculação subjectiva que o sujeito apresenta em relação ao seu corpo tem pode ter uma acentuada influência sobre as condutas alimentares deste.
A psicanálise marca a distinção entre o corpo como organismo biológico e o corpo designado pela linguagem. A experiência do sujeito em relação ao seu corpo dá-se pela via do significante que é responsável pela organização da relação do sujeito com a imagem do seu próprio corpo e a partir daí, as relações com as imagens dos outros indivíduos e dos objectos da realidade. Pelas as razões expostas, é de extrema importância ouvir como o paciente nos fala do seu corpo, qual a possível relação que a obesidade mantém com a sua história de vida, as implicações para esta e o que esse paciente pretende para além da perda de peso, tendo em conta que significantes como ganho e perda possuem referências diferentes para cada indivíduo.
Ao utilizar a psicanálise como ponto de referência da psicoterapia para intervir na obesidade está-se a tratar o corpo não como um organismo mas como algo que fala e obtém prazer, um corpo governado por uma entidade psíquica. Isto significa que não se lida com a dimensão do facto, ou seja com a obesidade (o corpo obeso) mas com a relação do sujeito com o seu corpo e as consequências desta para a vida. São usados métodos psicológicos como a confrontação, clarificação e interpretação. A capacidade de introspecção por parte do paciente assim como empatia por parte do psicoterapeuta e o recurso a noções Freudianas como a transferência e a contratransferência são fundamentais. É de extrema importância analisar a possível existência de conflitos emocionais, problemas sociais, distúrbios nas relações de objecto, problemas separação/individuação especificamente no estádio do objecto transicional (noção introduzida por Winnicott) resultando por conseguinte numa fixação narcísica no seu próprio corpo à custa da utilização de objectos externos, nomeadamente os alimentos. Por tudo o que foi exposto facilmente se conclui que os objectivos das psicoterapias psicanalíticas ou de abordagem analítica ou de orientação dinâmica não se resumem a provocar mudanças no corpo do paciente mas sim a mudar a relação do sujeito com o seu corpo, a criar as condições necessárias para que o sujeito se depare com aquilo que lhe é estranho e ao mesmo tempo familiar, o corpo que” habita”.
A psicanálise marca a distinção entre o corpo como organismo biológico e o corpo designado pela linguagem. A experiência do sujeito em relação ao seu corpo dá-se pela via do significante que é responsável pela organização da relação do sujeito com a imagem do seu próprio corpo e a partir daí, as relações com as imagens dos outros indivíduos e dos objectos da realidade. Pelas as razões expostas, é de extrema importância ouvir como o paciente nos fala do seu corpo, qual a possível relação que a obesidade mantém com a sua história de vida, as implicações para esta e o que esse paciente pretende para além da perda de peso, tendo em conta que significantes como ganho e perda possuem referências diferentes para cada indivíduo.
Ao utilizar a psicanálise como ponto de referência da psicoterapia para intervir na obesidade está-se a tratar o corpo não como um organismo mas como algo que fala e obtém prazer, um corpo governado por uma entidade psíquica. Isto significa que não se lida com a dimensão do facto, ou seja com a obesidade (o corpo obeso) mas com a relação do sujeito com o seu corpo e as consequências desta para a vida. São usados métodos psicológicos como a confrontação, clarificação e interpretação. A capacidade de introspecção por parte do paciente assim como empatia por parte do psicoterapeuta e o recurso a noções Freudianas como a transferência e a contratransferência são fundamentais. É de extrema importância analisar a possível existência de conflitos emocionais, problemas sociais, distúrbios nas relações de objecto, problemas separação/individuação especificamente no estádio do objecto transicional (noção introduzida por Winnicott) resultando por conseguinte numa fixação narcísica no seu próprio corpo à custa da utilização de objectos externos, nomeadamente os alimentos. Por tudo o que foi exposto facilmente se conclui que os objectivos das psicoterapias psicanalíticas ou de abordagem analítica ou de orientação dinâmica não se resumem a provocar mudanças no corpo do paciente mas sim a mudar a relação do sujeito com o seu corpo, a criar as condições necessárias para que o sujeito se depare com aquilo que lhe é estranho e ao mesmo tempo familiar, o corpo que” habita”.
sábado, 6 de junho de 2009
O corpo de (s) graça da MULHER
Vénus of Willendorf"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
(…)
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está-se a auto-destruir.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em Setembro, não antes); quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro,tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quandotem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa’s... viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninhados e nós, sem querer, as enchemos de estrias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmosvivos.
A beleza é tudo isto".
Paulo Coelho
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Corpo (Des)graçado

Corpo com graça, corpo sem graça. Corpo com alma, corpo sem alma.
Corpo com graça e com alma não corresponde necessariamente ao corpo estético, ao corpo belo. Afinal quantos corpos belos são desgraçados! Pensemos nos corpos anorécticos, bulímicos, mutilados, outros doentes pelo resultado de somatizações graves. Um corpo com graça e com alma é belo pela vitalidade que brota, que inspira carga simbólica e diria até genitalidade.
Talvez, por estas associações expostas, iria cometer o acto falhado ao escrever o título corpo (des)carnado em vez de (des)graçado, o primeiro título a ser pensado e como tal acima enunciado. É que um corpo sem graça e sem alma, sem carga simbólica e genital é afinal um corpo descarnado, um corpo sem a carne anímica e palpável, um corpo alibidinal.
O corpo tem uma linguagem e expressão própria, pensemos no corpo em movimento num bailado, numa outra dança contemporânea ou ainda ritualizada, mas estas expressões com a tal carga simbólica que nos invade e faz-nos pensar, elaborar com nossa mente (muitas vezes vista como separada do resto do corpo) e sentir as mais variadas sensações (e emoções) com nosso corpo corporal, chamemos assim. Será que quanto mais alma e graça nosso corpo possui, mais emoções e sensações sente? Parece que sim. E parece que mais padece quanto menos emoções é capaz de sentir e mais desgraçado quanto mais dor sofre.
O corpo desgraçado aparece na ausência da graça metafórica, sendo que ainda aparece de graça a crueldade do descarnado sofrido e por vezes imentalizável que “ quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”, como cantava Variações. Há quem faça fugas para a frente com o corpo, há quem o ofereça e maltrate de graça, há quem o venda na desgraça, mas porém há quem o pense e o transforme e quando o corpo tem juízo, a cabeça também o pode pagar, deixa a pagar, deixa a pagar (cantando doutra forma) !!!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Apenas isto...
VIVER NO ESTRANGEIRO AUMENTA A CRIATIVIDADE?
Parece que sim, de acordo com um estudo que envolveu centenas de estudantes e que foi publicado no Journal of Personality and Social Psychology.
O estudo vem referido no Ecomomist (uma excelente revista, aliás) e refere a correlação entre viver, ou ter vivido, no estrangeiro e a criatividade das pessoas e as suas competências relacionais. Parece, no entanto, que viajar não chega. É preciso viver mesmo fora. O estudo não envolveu estudantes portugueses, para quem suspeito que a correlação seria ainda maior. Este santa terrinha nunca foi chão que desse muitas uvas. É tudo muito tacanho e pequenino.
Interessante, não?
O estudo vem referido no Ecomomist (uma excelente revista, aliás) e refere a correlação entre viver, ou ter vivido, no estrangeiro e a criatividade das pessoas e as suas competências relacionais. Parece, no entanto, que viajar não chega. É preciso viver mesmo fora. O estudo não envolveu estudantes portugueses, para quem suspeito que a correlação seria ainda maior. Este santa terrinha nunca foi chão que desse muitas uvas. É tudo muito tacanho e pequenino.
Interessante, não?
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